quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Indecisão

Aí vem ele. Olhando para o nada e imaginando tudo. Admirando o pôr do sol que leva embora todo seu amargor. Vendo seus sonhos e esperanças se espalharem pelo ar. Você está sozinho e sua mente não te deixa em paz. Você está sonhando. Em um lugar não tão distante, mas, não tão perto. Ele não sabe o que está por vir. As lentas ondulações daquele pacífico rio parecem querer se comunicar com ele. Ele está aqui. Esquece por um momento que horas são, sentindo os últimos raios de sol aquecerem seus olhos. Aquilo não importa mais a ele. Era como ver formigas fazendo mel, não o impressionaria mais. Ela o vê como mais um selvagem qualquer. Ele a vê como uma bela borboleta sobrevoando pelo límpido arco-íris. Os pingos da chuva que estão por vir parecem dançar e rodopiar pelo corpo dela. Para ele, o fim está por vir, mas, para ela, está longe de acabar. Lá vai ele, correndo pelo jardim já regado pela chuva de prata que já foi e nem se despediu. Ela vem, sim, ela vem, caminhando graciosamente e cantando sua canção favorita. E os dois estão na mesma rota, sem freio e sem controle, mas, estão mais que prontos para a grande colisão. Lá vem ela, se aproximando lenta e lentamente, acaricia seu corpo com suas mãos delicadas e macias. Posso sentir uma doce fragrância de rosas invadir minha respiração. Ela veio, me fala algo no meu ouvido enquanto se deixa deslizar em meu corpo molhado pela relva que estava a desabar em nós. Sim, essa colisão aconteceu, mas, não nos afetou. Enquanto nossas almas se conectam nessa plenitude, vamos nos perdendo em meio a noite de lua cheia que, nessa noite, esteve completa de mel e vinho. Ah, e lá vai ela...